A China se comprometeu a ampliar significativamente as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos entre 2026 e 2028. O acordo foi anunciado pela Casa Branca após reuniões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping.
Segundo o governo americano, Pequim deverá adquirir pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos EUA durante os próximos três anos. O valor não inclui acordos anteriores de compra de soja fechados em 2025.
O entendimento ocorre após forte deterioração do comércio agrícola entre os dois países. Em 2025, as exportações agropecuárias americanas para a China despencaram cerca de 65,7%, caindo para US$ 8,4 bilhões, reflexo direto das disputas tarifárias e das tensões comerciais entre Washington e Pequim.
Além da soja, o novo pacote deve envolver carne bovina, aves, grãos, laticínios e outros produtos agrícolas. Autoridades americanas afirmam esperar um aumento “de dois dígitos” nas compras chinesas do setor agropecuário como um todo.
A China também concordou em trabalhar com órgãos reguladores dos EUA para flexibilizar restrições sobre frigoríficos americanos e retomar importações de aves oriundas de estados considerados livres de gripe aviária.
Outro ponto do acordo prevê a criação de dois novos mecanismos bilaterais: um Conselho de Comércio EUA-China e um Conselho de Investimentos EUA-China, com o objetivo de reduzir barreiras comerciais, discutir acesso a mercados e diminuir tarifas entre as duas maiores economias do mundo.
Impacto para o Brasil
Especialistas avaliam que o acordo pode mexer no fluxo global do agronegócio. Como o Brasil se tornou o principal fornecedor agrícola da China nos últimos anos, parte da demanda chinesa pode voltar aos EUA — especialmente na soja.
Por outro lado, analistas acreditam que o agro brasileiro pode redirecionar exportações para outros mercados e até ganhar espaço em segmentos específicos, como carne bovina, dependendo da reorganização do comércio internacional.
Contexto estratégico
A dependência chinesa dos produtos agrícolas americanos caiu bastante desde o primeiro mandato de Trump. Em 2016, cerca de 41% da soja importada pela China vinha dos EUA. Em 2024, essa participação havia caído para aproximadamente 20%, com o Brasil assumindo posição dominante no mercado chinês.





