O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de dissuasão para garantir a defesa da soberania nacional diante das transformações no cenário geopolítico internacional. A declaração foi feita durante um seminário sobre defesa e relações internacionais, no qual o diplomata destacou a importância de investimentos estratégicos nas Forças Armadas e na indústria nacional de defesa.
Segundo Amorim, a capacidade de dissuasão não deve ser interpretada como uma política de confronto ou de incentivo a conflitos, mas como um instrumento para desencorajar eventuais ameaças externas. Na avaliação do assessor, países com meios adequados de defesa possuem maior autonomia para proteger seus interesses e preservar sua independência.
Durante sua participação no evento, Amorim ressaltou que o contexto internacional tem sido marcado por disputas geopolíticas, conflitos regionais e mudanças no equilíbrio de poder entre as principais potências globais. Nesse cenário, defendeu que o Brasil mantenha uma política externa voltada para a paz, mas sem abrir mão da capacidade de proteger seu território, seus recursos naturais e sua infraestrutura estratégica.
O diplomata também destacou a necessidade de fortalecer a Base Industrial de Defesa, ampliando investimentos em pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, a produção nacional de equipamentos militares reduz a dependência de fornecedores estrangeiros e contribui para o avanço científico, a geração de empregos qualificados e o desenvolvimento econômico.
Amorim afirmou ainda que a defesa nacional deve ser tratada como uma política de Estado, integrada às estratégias de desenvolvimento e soberania. Para ele, o fortalecimento da capacidade militar tem caráter preventivo e busca garantir que o Brasil mantenha condições de proteger seus interesses nacionais diante de um ambiente internacional cada vez mais complexo.
As declarações ocorrem em um momento de intensificação dos debates sobre segurança internacional, reconfiguração das alianças globais e ampliação dos investimentos em defesa por diversos países.
