A previsão de reajuste do salário mínimo para R$ 1.741 em 2027 poderá representar um impacto de aproximadamente R$ 49,6 bilhões nas despesas primárias da União, segundo uma simulação elaborada pelas Consultorias de Orçamento da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
O valor foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na segunda-feira (24), e representa uma elevação de R$ 120, ou 7,4%, em relação ao salário mínimo atual, de R$ 1.621. A cifra ainda é uma projeção e poderá sofrer alterações até o fim do ano.
Reajuste afeta Previdência e benefícios sociais
O impacto fiscal ocorre porque o salário mínimo serve de referência para uma série de despesas obrigatórias do governo federal. Entre elas estão aposentadorias e pensões do INSS vinculadas ao piso, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e abono salarial.
Segundo a estimativa utilizada no estudo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo acrescenta aproximadamente R$ 413,2 milhões às despesas primárias da União. Com a elevação de R$ 120 projetada para 2027, o impacto bruto chega aos R$ 49,6 bilhões.
O reajuste também provoca aumento da arrecadação previdenciária. Considerando esse efeito, a estimativa é de um impacto líquido de aproximadamente R$ 48,6 bilhões sobre o resultado primário.
Aumento real para trabalhadores
Apesar da pressão sobre as contas públicas, o reajuste também representa aumento do poder de compra para trabalhadores e beneficiários que recebem o piso nacional.
A projeção de R$ 1.741 corresponde a uma alta nominal de 7,4% sobre o valor atual. O cálculo considera a inflação medida pelo INPC e o ganho real previsto na política de valorização do salário mínimo.
O aumento da renda tende ainda a produzir efeitos sobre o consumo, especialmente entre as famílias de menor renda, que destinam uma parcela maior dos seus recursos a despesas essenciais.
Valor ainda não é definitivo
Apesar de o governo já trabalhar com R$ 1.741 na elaboração do Orçamento de 2027, o valor não está definitivamente fixado.
A cifra dependerá principalmente do comportamento do INPC até novembro. O valor definitivo deverá ser conhecido no fim de 2026, antes da entrada em vigor do novo piso em janeiro de 2027.
O governo deverá encaminhar o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ao Congresso Nacional até 31 de agosto. O documento deverá detalhar os impactos do novo salário mínimo sobre as despesas federais.
Pressão sobre o orçamento
O aumento do salário mínimo representa, portanto, um efeito duplo para a economia: de um lado, amplia a renda disponível de milhões de brasileiros e pode estimular o consumo; de outro, aumenta automaticamente parte das despesas obrigatórias da União.
O desafio fiscal está em conciliar a política de valorização do piso nacional com a necessidade de controlar o crescimento das despesas públicas.