A guerra envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz já começa a provocar impactos diretos na cadeia global de alimentos. Segundo Svein Tore Holsether, CEO da gigante norueguesa de fertilizantes Yara, a crise ameaça o equivalente a quase 10 bilhões de refeições por semana em todo o mundo.

O alerta ocorre porque o Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas para o transporte de fertilizantes e matérias-primas agrícolas, como amônia e ureia. Com a interrupção parcial da navegação na região, cerca de 500 mil toneladas de ureia deixam de circular semanalmente no mercado internacional.

De acordo com Holsether, a falta desses insumos pode reduzir drasticamente a produtividade agrícola já nas próximas safras. Em algumas culturas, a ausência de fertilizantes nitrogenados pode provocar perdas de até 50% na produção.

Os impactos tendem a atingir principalmente países mais pobres e regiões dependentes da importação de fertilizantes, como partes da África, Sudeste Asiático e América Latina. Especialistas alertam que o cenário pode gerar aumento no preço dos alimentos, insegurança alimentar e uma disputa global por insumos agrícolas.

O Brasil também acompanha a situação com preocupação. Grande parte dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio brasileiro é importada, e uma escalada prolongada no conflito pode elevar custos de produção no campo e pressionar ainda mais os preços ao consumidor.

Segundo dados citados por analistas internacionais, entre 25% e 30% do comércio mundial de fertilizantes e matérias-primas agrícolas passa pela região de Ormuz, considerada estratégica para o abastecimento global. Mesmo com uma eventual reabertura da rota marítima, o mercado pode continuar pressionado devido às perdas já registradas na cadeia produtiva.

Além do impacto econômico, organizações internacionais também demonstram preocupação humanitária. Estimativas apontam que milhões de pessoas podem ser empurradas para situações de fome aguda caso a crise se prolongue nos próximos meses.

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