Ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino reafirma lealdade a presidente Nicolás Maduro STRINGER / REUTERS

CARACAS — O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, rebateu nesta terça-feira o ultimato dado na véspera pelo presidente americano, Donald Trump, aos militares do país. Segundo o general, os Estados Unidos precisarão “passar por cima dos cadáveres” dos militares venezuelanos para impor o que chamou de “governo fantoche” da oposição.

Nesta segunda-feira, na semana em em que a oposição venezuelana, com o apoio de Washington, prepara a chegada de ajuda internacional ao país em desafio ao governo de Nicolás Maduro, Trump exortou os militares a abandonarem o presidente e aceitarem a oferta de anistia do autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó.

— Não vão conseguir. Vão ter que passar por cima dos cadáveres [dos militares] — ressaltou Padrino a seus companheiros de cúpula militar, diante das câmeras da televisão estatal.

O ministro venezuelano classificou o discurso de Trump como “grosseiro” e “arrogante”. Padrino destacou que os militares se manterão obedientes a Maduro e continuarão posicionados na fronteira “para evitar qualquer violação de território”. Em nome do comando militar, Padrino frisou a “subordinação irrestrita” da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) ao Palácio de Miraflores.

A oposição marcou para o próximo sábado, dia 23, a entrada da ajuda pelas fronteiras do país.

A estratégia é forçar os militares a se posicionarem, deixando passar os alimentos e remédios — e assim enfraquecendo o regime — ou barrando a sua entrada, assumindo o desgaste diante da população. Dezenas de toneladas de suprimentos enviados pelos Estados Unidos já estão em Cúcuta, na Colômbia, à espera da operação.

— Militares que apoiam esse regime põem em risco seu futuro e o de seu país por um homem controlado por Cuba e protegido por um exército privado de soldados cubanos. Maduro não é um patriota venezuelano. É um fantoche cubano — afirmou Trump nesta segunda-feira. — Se escolherem esse caminho [Guaidó], ajudarão a garantir um futuro próspero. Ou podem escolher seguir apoiando Maduro. Nesse caso, não haverá saída: vocês perderão tudo.

Apesar dos preparativos e dos repetidos apelos de Guaidó aos militares para deixarem a ajuda passar pelas fronteiras, ainda não se sabe como os medicamentos e os alimentos entrarão na Venezuela. A oposição mantém silêncio sobre os detalhes do planejamento, sob o argumento de que Maduro pode frustá-lo com ação das forças de segurança.

Gabi Arellano, parlamentar opositora enviada por Guaidó para coordenar o canal humanitário em Cúcuta, destacou que a oposição não necessariamente precisa usar a ponte Tienditas, uma das que liga os dois países e foi bloqueada com contêineres pelo regime de Caracas.

— A fronteira com a Colômbia é imensamente longa — ressaltou ela.

Por mais de uma semana, ativistas e opositores disseram que avaliam a opção de simplesmente contrabandear a ajuda através das fronteiras terrestres porosas entre a Venezuela e a Colômbia, ao longo de rotas usadas há muito tempo para transportar produtos contrabandeados e combustível.

Outra opção, defendida por aqueles que buscam um confronto mais direto com Maduro, incluiria cercar os caminhões de ajuda com uma barreira humana, que lentamente se aproximaria da Venezuela. Os manifestantes passariam por soldados postados no lado venezuelano e permitiriam que a ajuda se movesse, possivelmente usando uma empilhadeira para empurrar para o lado os contêineres que bloqueiam a ponte.

Em Curaçao, nas Antilhas Holandesas, o ministro das Relações Exteriores prometeu levar ajuda por um corredor marítimo usado por imigrantes venezuelanos para fugir do país. Nos últimos dias, porém, os planos desmoronaram, diante da recusa de políticos da ilha a usarem a ajuda como arma política. Mesmo assim, as autoridades venezuelanas fecharam a fronteira marítima com as Antilhas Holandesas nesta terça-feira, segundo o vice-almirante Quintero Martinez disse à Reuters — o que impede a chegada de barcos e aeronaves a partir de Aruba, Curacao e Bonaire. O motivo, no entanto, não foi informado.

No Brasil, autoridades do governo Bolsonaro ainda não deram sinal verde para a abertura de um ponto de coleta de ajuda em Roraima, que faz fronteira com a Venezuela.

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