O Paraguai iniciou consultas diplomáticas com o Brasil sobre uma possível reaproximação da Venezuela com o Mercosul, abrindo espaço para que o tema seja debatido na próxima cúpula do bloco, marcada para 30 de junho em Assunção.
Segundo fontes ouvidas pelo governo brasileiro, a ideia inicial não seria um retorno imediato da Venezuela como membro pleno, mas uma reintegração gradual às discussões políticas e econômicas do bloco. O Palácio do Planalto sinalizou apoio à sondagem paraguaia.
A Venezuela está suspensa do Mercosul desde 2016/2017 após acusações de ruptura democrática durante o governo de Nicolás Maduro. Na época, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai acionaram a cláusula democrática do bloco, prevista no Protocolo de Ushuaia.
O novo cenário geopolítico citado nos bastidores envolve a ascensão de Delcy Rodríguez ao comando venezuelano após a deposição de Maduro, o que teria criado um ambiente mais favorável para discutir a volta do país ao bloco sul-americano.
De acordo com interlocutores do Mercosul, a proposta paraguaia seria semelhante ao modelo utilizado na entrada da Bolívia: uma reintegração escalonada, com prazo de até quatro anos para adaptação às normas econômicas, jurídicas e comerciais do bloco.
Apesar do movimento diplomático, a volta da Venezuela ainda enfrenta resistência, especialmente da Argentina, que pode contestar qualquer avanço mais rápido nas negociações.
O governo brasileiro avalia que reaproximar Caracas do Mercosul poderia ajudar na estabilidade política e econômica regional, além de fortalecer o próprio bloco em um momento de maior integração comercial, impulsionado inclusive pelo acordo recente entre Mercosul e União Europeia.
