A economia brasileira apresenta sinais de desaceleração no segundo trimestre de 2026, após registrar crescimento de 1,1% do PIB no primeiro trimestre. Diante da perda gradual de ritmo, o governo federal vem adotando medidas de estímulo à atividade econômica, em um movimento que ocorre meses antes das eleições de outubro.
Segundo analistas ouvidos pela imprensa, as medidas não devem interromper completamente a desaceleração, mas podem reduzir sua intensidade. Um levantamento divulgado em julho apontou que os programas de estímulo mobilizavam mais de R$ 180 bilhões ao longo de 2026, incluindo linhas de crédito com juros reduzidos, incentivos fiscais e subvenções.
Entre as iniciativas anunciadas está uma linha de R$ 18,5 bilhões em financiamentos para empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os recursos fazem parte das medidas adotadas pelo governo para reduzir os impactos do chamado tarifaço sobre empresas e setores exportadores.
Ao mesmo tempo, indicadores recentes apontam perda de dinamismo em diferentes segmentos. Em maio, o IBC-Br, considerado uma prévia da atividade econômica, avançou apenas 0,1% em relação a abril, depois de uma expansão de 0,4% no mês anterior. Dados do IBGE também mostraram variações próximas da estabilidade entre abril e maio: o comércio varejista cresceu 0,1%, enquanto a produção industrial caiu 0,2% e os serviços recuaram 0,4%.
Um dos principais fatores de pressão sobre a atividade continua sendo a política monetária. Mesmo após o início do ciclo de redução da Selic, os juros permanecem em patamar elevado, encarecendo o crédito para empresas e consumidores e reduzindo o estímulo a investimentos e ao consumo.
Para economistas, entretanto, o mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e as medidas de estímulo do governo podem contribuir para manter a economia resiliente. A projeção do C6 Bank, por exemplo, apontava crescimento de 0,7% do PIB no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano.
Pressão sobre as contas públicas
A estratégia de estímulos também provoca preocupação entre especialistas em relação às contas públicas. O economista Alexandre Espírito Santo, da Way Investimentos, avalia que a injeção de recursos ajuda a limitar a desaceleração, mas pode aumentar o endividamento do governo.
O debate envolve o equilíbrio entre política fiscal e política monetária. Enquanto o governo utiliza medidas para estimular a economia, o Banco Central mantém uma política de juros elevados com o objetivo de controlar a inflação.
As projeções do mercado indicavam crescimento de 1,99% para o PIB brasileiro em 2026, segundo o Boletim Focus citado na reportagem. O número fica abaixo do crescimento de 2,3% registrado em 2025. Já o Ministério da Fazenda trabalhava com estimativa de 2,3%, enquanto o FMI projetava expansão de 2,4%.
A divulgação oficial do PIB do segundo trimestre pelo IBGE está prevista para 1º de setembro. O resultado deverá oferecer um retrato mais preciso do comportamento da economia no período e ajudar a medir o impacto das medidas adotadas pelo governo sobre a atividade econômica.
Com a proximidade das eleições e a necessidade de sustentar o crescimento, o segundo semestre deverá ser marcado pelo desafio de conciliar estímulos à economia, controle da inflação e equilíbrio das contas públicas.